Esse post foi um dilema para mim. Fiquei super na dúvida se deveria publicá-lo ou não.
Você, que já me conhece, talvez estranhe o atual post, pois o que eu vou falar, aparentemente, é contraditório ao que eu venho falando há tanto tempo.
Aqui em meu blog, e em todo o meu trabalho, eu dou muita ênfase à responsabilidade pessoal e a necessidade de se assumir a responsabilidade sobre a sua própria vida. No entanto, o que vou falar neste post de hoje é exatamente o oposto: você não é responsável pela traição de seu parceiro.
Quanto mais eu estudo sobre amor e relacionamento mais percebo que o amor é repleto de aparentes contradições. E essas contradições são quase tão difíceis de se explicar quanto o é explicar o próprio amor. Daí o meu receio com o presente post, meu medo é que o leitor leve as próximas palavras muito aos extremos, deve-se ler o texto com visão de um Taoísta (saiba mais sobre o Tao Te Ching clique aqui), é preciso encontrar um equilibrio!
Nossa mente ocidental tende a apenas aceitar um único lado da moeda. Não percebe que os opostos são em verdade complementares e partes de uma única realidade. Para entender tudo isso é preciso usar a intuição e não o intelecto.
Todo esse preâmbulo, serve para uma única coisa: quero que você saiba que eu, Pâmi Garcia, estou consciente da contradição que há entre este post e os tantos outros que já escrevi. Fique tranquilo, eu não estou louca!
E quero também que você saiba que as palavras que seguem não excluem a minha crença nas palavras que eu já escrevi (e continuarei a escrever enquanto eu acreditar nesse conceito) sobre responsabilidade pessoal.
Então, vamos ao que interessa?!! A mensagem desse post é:
Você não é responsável pela traição de seu parceiro.
Dias atrás eu estava lendo a capa de uma dessas revistas sensacionalistas femininas do tipo que trás sempre as mesmas manchetes na capa (“Como perder 5 kg e 2 horas”, “Como arrasar na cama”, “Como deixar a vizinha com inveja” e blá blá blá) e uma das dicas infalíveis era “Como se tornar uma linda mulher e fazer com que ele nunca mais olhe para outras…”. Imediatamente eu pensei: Caramba que manchete de M… faz as pobres coitadas das pessoas (não só as mulheres) pensarem que o cônjuge olha para o lado porque o que tem não é tão bom. Uma excelente fórmula para criar insegurança e baixa autoestima!
Senti a necessidade de escrever este artigo devido a enxurrada de mensagem de leitores que venho recebendo nos últimos dias sobre a temática.
O fato é que depois de uma traição, sentimentos terríveis de baixa autoestima atormentam a cabeça da “vítima”:
- Fica imaginando que foi traída porque não é tão boa quanto deveria;
- E/ou que já não há mais amor na relação;
- E/ou que ela(e) não é o suficiente para satisfazer o parceiro(a);
- E/ou que isso aconteceu porque trabalhei demais e esqueci do relacionamento;
- e diversas outras frases do tipo: “ah eu fazia tudo para ele”, “sempre estive disponível”, “sempre fui cuidadosa com minha beleza”, “dei tudo para ela” surgem para aterrorizar as emoções do “traído”. Coisas que nem sempre são verdadeiras!
Mas, ficar achando que a traição aconteceu porque você não é tão bonito(a), interessante, inteligente ou qualquer outra coisa, pode servir para derrubar ainda mais o seu amor próprio, o que não ajuda em nada neste momento.
Diversos estudos mostram que são frequentes os casos onde o “traidor” de fato amava o companheiro(a), sentia-se sexualmente e emocionalmente atraído por ele e tudo o mais que faz um casal permanecer junto, mas, ainda assim buscou algo fora da relação. Talvez por curiosidade, por imaturidade, influência dos amigos ou do meio, ou uma série de outros fatores internos que podem impulsionar uma pessoa para tal atitude.
Por fim, quero que você entenda que eu não estou do lado do traidor, não estou aqui para justificar o erro que ele cometeu. Não, não é este meu objetivo!
Não quero minimizar os atos da pessoa que falhou com sua parte do compromisso. O que quero é minimizar as suas dores (caso você tenha sido traido(a)) e oferecer mais essa reflexão para que você consiga superar esse momento e seguir adiante.
Em resumo o que quero dizer é:
Não seja carrasco de si mesmo.
Não seja tão exigente consigo.
Pegue mais leve no seu autojulgamento.
O fato de seu companheiro ter ficado com outra pessoa não é indicativo nenhum de que você não seja uma pessoa maravilhosa, completa, admirável. Como eu disse anteriormente, isso pode estar muito mais relacionado com quem “pulou a cerca” do que com você. Eu conheço pessoalmente pessoas que tem um cônjuge maravilhoso, um relacionamento muito bom e que mesmo sabendo conscientemente disso, cometeram traição.
Cuidados – Muito importante, leia isso:
# Uso “vítima” entre aspas porque não acredito em vítimas. Em um nível superior (espiritual mesmo) nós somos criadores de todas as nossas experiências de vida. O post atual trata de um aspecto um pouco mais superficial, mais imediatista, mais prático, serve para você ampliar seus paradigmas e superar esse primeiro impacto da traição com mais tranquilidade.
# Apesar disso gostaria de fazer um alerta: este post não deve servir para te eximir a responsabilidade por sua vida. Deve apenas fazer com que você perceba esse outro aspecto desse evento. Ficar culpando a outra pessoa não vai te ajudar em absolutamente nada! Assim como culpar-se também não adiantará!
# Se você não leu todo o conteúdo do post: LEIA! Ele foi feito com mais cuidado que o comum e deve ser lido na íntegra, sob o risco de ser parcialmente interpretado o que causaria interpretação e conclusão errôneas.
# O fato de a traição ser responsabilidade de quem traiu não quer dizer que ele não possa se arrepender, aprender com o erro e nunca mais repetir o ato. Pense na possibilidade de recomeçarem juntos, de reverem a relação, readequar algumas regras internas do relacionamento, questionar o que ainda é válido e o que já não é mais, e refazer os votos!
# A possibilidade de que a traição não esteja relacionada com uma deficiência da relação não quer dizer que o relacionamento não possa ser melhorado! Que tal uma nova lua de mel? Uma nova chance para o amor? Ou quem sabe férias individuais para o casal, cada um encontrar-se consigo mesmo em momentos de reflexão pessoal?
# É possível perdoar e reavivar o amor! Veja estes posts:
Como Perdoar uma Traição?
# Não carregue a responsabilidade do ocorrido sozinha(o). Sim, procure descobrir como você pode tornar-se um ser humano (e cônjuge) melhor, extraia os aprendizados do ocorrido. Mas não martirize-se.
“Acredito no nosso amor e por isso estou disposta(o) a, junto de ti, reconstruir nossa história”.
Acredite no Amor
e Viva o seu Melhor!!
Pâmi Garcia








